Glossário de Saúde Mental

A

Alterações psicopatológicas que ocorrem devido à cessação (ou redução) na utilização prolongada de uma substância. Os sintomas que apresenta são diferentes dependendo da subtância consumida.

Perda da vontade. Pode existir o desejo de fazer algo, mas não existe energia ou iniciativa para o fazer. É comum observar-se na esquizofrenia.

Uso recorrente da substância, que resulta na incapacidade de cumprir obrigações pessoais ou profissionais, em dano físico importante ou em problemas legais recorrentes. Pode ocorrer em relação ao álcool (ver), e drogas ilícitas como a heroina, a cocaina, e o cannabis (ver), e mesmo que não esteja instalada ainda uma dependência (ver).

É um neurotransmissor (ver)muito associado aos processos de aquisição de conhecimento. Os medicamentos antidemenciais vão aumentar os níveis de acetil-colina no cérebro.

Padrão de comportamentos observáveis que resultam da expressão de emoções. Consiste na resposta emocional do paciente em determinado momento segundo se pode inferir pela sua expressão global .

situação em que o paciente teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal. Muito associada aos episódios de pânico na Perturbação de Pânico.

O álcool é uma droga depressora do sistema nervoso central que causa desinibição e euforia quando ingerido na forma de bebidas alcoólicas pelos seres humanos. Em doses mais altas, o álcool é prejudicial a saúde, podendo causar até coma.

No consumo imediato num primeiro período, o consumidor torna-se eufórico e desinibido. No segundo momento, ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono.

Nos consumidores prolongados pode ocorrer dependência (ver). Nestes casos a suspensão do consumo, pode levar à síndrome da abstinência (ver). A síndroma de abstinência que ocorre nos consumidores de álcool é muito tipica (chamando-se delirium tremens) sendo caracterizada por confusão mental, alucinações visuais (visões), tremores e convulsões.

O consumo de álcool pode associar-se não só à dependência, mas também ao abuso. Nestes casos o recorrente da substância em exagero resulta na incapacidade de cumprir obrigações pessoais ou profissionais (falta de cumprimento de obrigações), em dano físico importante (por exemplo problemas de fígado) ou em problemas legais recorrentes (multas por condução com excesso de alcool).

Os efeitos do consumo do álcool não são apenas no sistema nervoso, lesando gravemente o fígado (podendo levar à doença hepatica grave como a cirrose) , coração e estômago.

Algumas evidências sugerem que o risco para DHA aumenta para consumos superiores a 80g de etanol/dia para homens e 20g de etanol/dia para mulheres.O sistema de saúde dos Reino Unido (NHS), considera bebedores excessivos aqueles que consumam mais de 3-4 unidades (para homem) e 2-3 (para mulher) ou um total de unidades por semana superior a 21 para o homem e 14 para a mulher, correspondendo cada unidade de álcool a 10ml de álcool (cerca de 10g de álcool)

Tabela

BEBIDAS – QUANTIDADES DE ÁLCOOL
  Gramas DE ÁLCOOL Unidades
1 lata de cerveja (5%) 350 ml 17 gramas 1,5
1 copo de cerveja (5%)  – 200 ml 10 gramas 1
1 copo de vinho (12%) – 90 ml 10 gramas 1
1 dose de destilados (uísque, pinga, vodca etc.- 40-50%) – 50 ml 20 – 25 gramas 2-2,5
1 garrafa de vinho (12%) -750ml 80 gramas 8
1 garrafa de destilados (40-50%) – 750 ml 300-370 gramas 30-37

O tratamento pode ser com base psicoterapêutica em que se tenta compreender a função do álcool na vida do paciente e as vantagens e desvantagens a que o consumo se associa. Em muitos casos o álcool desempenha uma função «terapêutica», em que o paciente se auto-medica para uma situação de depressão ou ansiedade grave. No entanto, embora o álcool a curto prazo possa desempenhar um papel desinibidor e relaxante, a médio prazo pode facilitar o aparecimento, manutenção da depressão e agravar os sintomas de ansiedade.

É por isso fundamental que se identifiquem e tratem as situações psiquiátricas que podem estar a provocar um alcoolismo secundário.

Os grupos terapêuticos do tipo «alcoólicos anónimos» podem ser muito úteis, pois contam com a presença de pacientes que padecem da mesma situação e que podem trocar experiências e modos de vencer as situações.

Farmacológicamente deve começar por tratar-se as situações de base que podem estar a provocar o consumo de alcool (por exemplo ansiedade e depressão de base).

A administração de medicação directamente para a redução do consumo pode fazer-se. Os fármacos mais eficazes são dois: a naltrexona e o dissulfiram. O primeiro actua reduzindo o prazer que se obtém quando do consumo de álcool, e por isso inibindo a tendência para a bebida em excesso. O segundo inibe a degradação do álcool no organismo e produz efeitos incómodos imediatos enrubescimento da pele, aceleração do batimento cardíaco, náuseas e vómitos, dores de cabeça etc. O aparecimento destes sintomas faz com que os consumidores tenham receio de ingerir álcool. Este tratamento é por isso chamado «aversivo» e é muito eficaz, devendo no entanto ser administrado por outra pessoa que não o paciente (para que não haja falhas programadas da toma). Estes tratamentos devem sempre ser prescritos por um médico psiquiatra.

Nos casos de alcoolismo crónico os pacientes NUNCA devem parar de beber subitamente, sem apoio de um médico psiquiátrico porque podem experimentar uma síndroma de abstinência grave (delirium tremens), que podem em casos graves levar à morte. A utilização de fármacos apropriados levam a que o doente possa parar de beber sem correr perigo.

Caracteriza-se por: (a) dificuldades em iden­tificar e descrever sentimentos subjectivos; (b) dificuldades em fazer distinção entre emoções e sensações físicas; (c) escassez de sonho e incapacidade de simbolizar ou fazer relação entre afecto e fantasia; e (d) um estilo de raciocínio concreto e objectivo, voltado para a realidade externa. Este sintoma pode estar presente nalguns tipos de personalidade, tendo o seu conceito sido desenvolvido no contexto da psicossomática.

Corresponde a um sintomas psiquiátrico caracterizado pela convicção de ter uma percepção sem que exista um objecto exterior. Ou seja a sensação de se ouvir um som (por exemplo uma voz), ver uma imagem, sem que haja algo real na sua base. Os pacientes dizem por exemplo que ouvem vozes quando sabemos que não existe ninguém presente a falar com eles.

De acordo com a modalidade sensorial podem designar-se alucinações auditivas, visuais, olfactivas (cheiro), gustativas (gosto), tácteis (tacto), cenestésicas (sensibilidade profunda, sensações provindas de dentro do corpo, por exemplo).

É mais frequente de perturbações psicóticas (perturbações em que estão presentes alucinações e delírios) como a esquizofrenia. Mas também pode estar presente noutras situações como a depressão grave, a perturbação bipolar ou até nas perturbações graves da personalidade.

As alucinações que não são consideradas completas (isto é se os pacientes não as descrevem como vindo claramente do exterior), tomam o nome de pseudoalucinações.

Incapacidade para experimentar prazer, sintoma comum na depressão major, o doente refere não ter prazer em actividades que habitualmente lhe proporcionavam este sentimento. Por exemplo poderá dizer que ler um livro ou ver um programa não lhe dá prazer o que sentia habitualmente (47,49). Ocorre frequentemente na depressão mas também pode estar presente na esquizofrenia (como sintoma negativo).

Os termos ansiedade e angústia são usadas quase indistintamente. No entanto enquanto a primeira está mais relacionada com um componente psíquico, a segunda associa-se mais com um componente corporal.

A ansiedade corresponde a uma resposta emocional, que possui uma componente corporal (sintomas físicos da ansiedade como a dor no peito, dificuldade respiratória, boca seca, suores, tremores, palpitações, náuseas, dor abdominal, dores de cabeça, etc) e uma componente psicológica (pensamentos, ideias, crenças ou imagens associadas à sensação de medo e perigo eminente).

A ansiedade pode ser normal ou fisiológica (reacção de adaptação a uma situação de medo, por exemplo ver um animal feroz).

No entanto pode ocorrer sem estimulo aparente, ou com níveis desproporcionalmente elevados, dando lugar às Perturbações de Ansiedade.

Perturbações psiquiátricas caracterizadas pela presença de ansiedade que ocorre sem estimulo aparente, ou com níveis desproporcionalmente elevados, incluem a Perturbação de Ansiedade Generalizada (ver) e a Perturbação de Pânico

Fármacos utilizados para evitar a evoulção e reduzir a gravidade das demências. Os inibidores da Acetil-colinesterase (donepezilo, rivastigmina, galantamina), inibem uma a acetil-colinesterase uma enzima que destroi a acetil-colina (neurotransmissor essencial para os processos cognitivos). Estes estão disponíveis em comprimidos e alguns deles em solução oral e mesmo em sistema transdermico, no caso da rivastigmina, (autocolante com o principio activo que vai libertando o fármaco através do contacto com a pele). Esta ultima forma de administração é particularmente útil nos pacientes que se recusam a tomar a medicação.

Quadro – Antidemenciais

Classe Fármacos Indicações
Inibidores da Acetil-colinesterase Donepezilo (Aricept®)

Rivastigmina (Exelon®,Prometax®)

Galantamina (Reminyl®)

Demência
Outros Memantina (Ebixa®) Demência

Nos dois primeiros grupos estão medicamentos mais antigos. Os antidepressivos tricíclicos, são descritos como os antidepressivos mais eficazes de sempre, embora possam ter alguns efeitos secundários como boca seca e obstipação. A clomipramina é o mais utilizado. Além de ser útil no tratamento depressão também pode ser usado na ansiedade grave e na perturbação obsessiva compulsiva. Os inibidores da monoaminoaxidase são fármacos muito pouco usados, pelos grandes efeitos secundários. Os outros grupos são os mais recentes e os mais utilizados por serem muito bem tolerados (poucos efeitos secundários).

Os ISRS são de todos os mais prescritos. São a primeira linha de todos os antidepressivos. Não têm praticamente efeitos secundários à excepção de náuseas nos primeiros dias e alterações da libido. Estes efeitos tendem a desaparecer ao longo do tratamento. São também muito utilizados além da depressão para o tratamento da ansiedade, da perturbação obsessiva compulsiva (POC) (em doses altas), da bulimia (a fluoxetina em doses altas). Entre estes são mais estimulantes a fluoxetina e a sertralina, e mais sedativos a paroxetina e a fluvoxamina, podendo isso ser útil para os casos particulares tratados.

Os ISRND são antidepressivos também muito eficazes. Utilizados sobretudo nos casos em que a apatia e falta de energia supera o estado de ansiedade porque são muito activadores. Também usados quando a falta de libido é um problema com os ISRS.

Os IRSN são geralmente o segundo passo a dar aquando do tratamento de uma depressão. Quando os ISRS não são eficazes, estes podem constituir a diferença e atingir bons resultados.

Os outros antidepressivos apresentados têm um modo de acção mais complexo activando em parte o sistema serotoninergico. A mirtazapina é um antidepressivo muito eficaz mas muito sedativo e por isso usado também para tratar a insónia, tem um efeito (que pode ser considerado negativo ou noutros casos positivo) que é o grande aumento de apetite com consequente aumento de peso. A trazodona não tem sido tão utilizada como antidepressivo mas sim como um eficaz indutor do sono.

Quadro – Antidemenciais

Classe Tipos Indicaçoes
Antidepressivos triciclicos Clomipramina (Anafranil®) Depressão GraveAnsiedadePOC
Inibidores da Monoamino Oxidase Moclobemide (Aurorix®)
Inibidores Selectivos da Recaptação de serotonina (ISRS) Paroxetina (Seroxat®, Paxetil®), Fluvoxamina (Dumyrox®), Fluoxetina (Prozac®, Digassim®), Sertralina (Zoloft®), Escitalopram (Cipralex®) DepressãoAnsiedadePOC

Bulimia

Inibidores Selectivos  da Recaptação de Noradrenalina e Dopamina (ISRND) Bupropião (Wellbutrin®, Elontril®), reboxetina (Edronax®) Depressão
Inibidores da recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN) Venlafaxina (Effexor®), Duloxetina (Cymbalta®) Depressão
Outros Mirtazapina (Remeron®)Trazodona (Triticum®) DepressãoInsónia

Os antipsicóticos foram desenvolvidos especialmente para o tratamento da esquizofrenia. No entanto também são úteis para o tratamento de outras perturbações psicóticas (outras perturbações psiquiatricas com alucinações ou delirios, entre as quais se destacam as depressões ou a mania psicóticas ou os casos de delirium– sindromas confusionais com sintomas psicoticos).

Os mais antigos são denominados típicos e apresentam mais efeitos secundarios extrapiramidais que os mais recentes denominados atípicos. O efeito secundários extrapiramidais correspondem a sintomas motores (rigidez dos movimentos, tremores, dificuldade em estar parado) e em casos de sobredosagem podem levar a situações graves. O tratamento destes sintomas pode ser feito utilizando doses baixas dos medicamentos ou adicionando um medicamento compensatório o Biperideno (Akineton®). Em relação aos antipsicóticos atípicos em geral estes tem menos efeitos extrapiramidais (sendo a risperidona o atipico que mais apresenta este tipo de efeitos). No entanto eles podem associar-se a outro tipo de efeitos secundários, os metabólicos. Estes correspondem ao aumento de peso, aumento do colesterol e triglicéridos, que se pode associar sobretudo a alguns medicamentos deste grupo (clozapina e olanzapina em maior grau, e em menor grau quetiapina, risperidona, paliperidona). A ziprasidona e o aripiprazol são os que apresentam menos estes efeitos secundários.

O seu principal mecanismo de acção é bloquear os receptores D2 da dopamina que se pensa estarem na base dos sintomas psicóticos (alucinações e delirios (ver)). Os antipsicóticos atípicos também actuam a nível dos sintomas mais negativos da esquizofrenia (embotamento (ver), anedonia (ver), apatia (ver)).

Embora a principal indicação destes medicamentos seja a esquizofrenia e outras perturbações psicótica, também podem estar indicadas como estabilizadoras de humor (previnem a alternância de crises de mania e de depressão, na perturbação bipolar). Devido ao seu potencial sedativo podem também usar-se em casos de agitação psicomotora e ansiedade grave.

Quadro – Antipsicóticos

Classe Fármacos Indicações
Tipicos Haloperidol (Haldol®)

Cloropromazina (Lagarctil®)

Esquizofrenia

Outras perturbações com sintomas psicóticos

Atípicos Clozapina (Leponex®)

Risperidona (Risperdal®)

Paliperidona (Invega®)

Ziprasidona (Zeldox®)

Olanzapina (Zyprexa®)

Quetiapina (Seroquel®)

Aripiprazol (Abilify®)

Esquizofrenia

Outras perturbações com sintomas psicóticos

Estabilizadores de humor (Perturbação Bipolar)

Perda de interesse pelas actividades habituais.

A atenção refere-se à orientação da actividade psíquica sobre determinado estímulo, objecto ou evento. Défice de atenção e hiperactividade

Caracteriza-se por um desenvolvimento acentuadamente anormal ou deficitário da interacção e comunicação social e um repertório restritivo de actividades e interesses. São três os principais grupos de sintomas:

Défices qualitativos na interacção social: Os pacientes apresentam um défice no uso de comportamentos não verbais (como contacto ocular, expressão facial, postura corporal e gestos) reguladores da actividade social, bem como da tendência em partilhar com os outros prazeres, interesses ou objectivos, com consequente incapacidade para participar em actividades sociais (preferindo actividades solitarias) e estabelecer relações interpessoais.

Défices qualitativos na comunicação verbal também pode ser acentuado, com um atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, podendo por vezes usar a linguagem de forma repetitiva e ideossincratica.

Padrões de interesses e actividades restritos, repetitivos e estereotipados: Há preocupação absorvente por um dos comportamentos ou interesses repetitivos e ideossincraticos, actividade motora estereotipada e repetitiva (por exemplo sacudir ou rodar as mãos ou dedos).

Muitas vezes está presente um grau de deficiência mental. Podem no entanto estar presentes capacidades especiais, por exemplo uma faclidade progigiosa em fazer cálculos. Podem também frequentemente apresentar episódios de agitação com agressividade contra si ou contra os outros e impulsividade.

O tratamento do autismo envolve intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e/ou comunicação. O recomendado é que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção orientado a satisfazer as necessidades particulares a cada indivíduo. Desta equipa deverão fazer parte médicos psiquiatras, psicólogos, terapeutas da fala e fisioterapeutas. A agressividade contra si ou contra os outros e impulsividade pode necessitar de medicamentos que a controlem.

sinónimo de insight.

E

Redução da expressão emocional (geralmente existe uma incapacidade para se estar consciente das emoções)  Presente frequentemente na esquizofrenia.

Resposta afectiva de curta duração ao contrário do Humor que é persistente. Pode dividir-se em 3 componentes: componente afectiva propriamente dita (corresponde à vivência de sentimentos em sentido estrito), componente somática (física) e componente cognitiva (pensamento).

Resposta a curto prazo, desencadeada por uma percepção (interna ou externa) e que evoca mudanças fisiológicas. Podem dividir-se em 3 componentes: componente afectiva propriamente dita (corresponde à vivência de sentimentos em sentido estrito), componente somática e componente cognitiva.

É uma doença psiquiátrica caracterizada sobretudo pela presença de alucinações e ideias delirantes. Estes são considerados os sintomas positivos. Também estão presentes os sintomas negativos, entre os quais se destacam o embotamento, a anedonia, a apatia, a abulia.

Geralmente começa no inicio da idade adulta (entre os 20-25 anos) podendo nalguns casos começar mais cedo e noutros mais tarde. Geralmente quanto mais cedo começa maior é a gravidade da sua evolução. No passado os pacientes que padeciam desta perturbação apresentavam um declínio muito marcado das suas funções intelectuais (daí também se ter chamado a esta doença «demência precoce», na transição do século XIX-XX). Hoje em dia com um tratamento eficaz e precoce esta patologia pode ter uma evolução mais favorável.

O tratamento principal desta patologia é feito com psicofármacos, os antipsicóticos. Também é muito importante a integração social destes pacientes e a estimulação cognitiva (havendo algumas associações que promovem estas actividades).

Há vários mitos relativamente a esta patologia. Entre os quais se destacam o facto de pessoas que dela padecem sejam obrigatoriamente disfuncionais. Isto é incorrecto pois embora não sejam a maioria, vários doentes esquizofrénicos têm carreiras profissionais brilhantes . Um caso paradigmático é o do matemático norte americano vencedor do prémio Nobel em 1994. Outro mito é de que estes pacientes são agressivos. Também esta afirmação é falsa pois a maioria dos estudos indica que estes pacientes não são mais perigosos que outros pacientes. Já pelo contrário existe um risco maior de suicídio nestes pacientes.

Os estabilizadores de humor têm a função de inibir a alternância dos episódios maniacos/hipomaniacos e da depressão na perturbação bipolar. Destacam-se o Lítio e alguns anticonvulsivantes e antipsicóticos que provaram também ter uma acção estabilizadora de humor.

Quadro – Estabilizadores de humor

Classe Fármacos Indicações
Litio Litio (Priadel®) Estabilizador de Humor
Anticonvulsivantes Carbamazepina (Tegretol®)

Valproato de Sódio (Depakine®, Diplexil®)

Lamotrigina (Lamictal®)

São primariamente usados na epilepsia mas provaram ter um efeito estabilizador de humor na Perturbação Bipolar
Antipsicóticos Ziprasidona (Zeldox®)

Olanzapina (Zyprexa®)

Quetiapina (Seroquel®)

 

São primariamente usados na psicose, esquizofrenia por exemplo, mas provaram ter um efeito estabilizador de humor na Perturbação Bipolar

Correspondem a sintomas motores (rigidez dos movimentos, tremores, dificuldade em estar parado) e em casos de sobredosagem podem levar a situações graves com febre, alterações nas análises (sindroma maligna dos neurolépticos), podendo levar à morte. São devidos ao excesso de fármacos antipsicóticos.

I

Manutenção da autocrítica relativamente ao carácter patológico da doença. O Paciente percebe que está doente e que tem de ser tratado.

Alterações de psiquiátricas que ocorrem na sequência do uso de substâncias: podem ser desde desinibição, agitação, agressividade (tipicas da intoxicação por alcool – “bebedeira”), até aparecimento de alucinações ou delírios (por exemplo na intoxicação por cannabis ou cocaina).

J

Inclinação irresistível ao jogo, recorrente e persistente apesar dos prejuizos finaceiros e sociais percebidos pelo doente.

M

Corresponde a um episódio de perturbação de humor em que está presente um humor eufórico (alegria patológica desproporcionada à circunstância e que se traduz por um estado de completa satisfação e felicidade), expansivo (estado de dificuldade de controlo das próprias emoções o que leva a uma marcada desinibição e marcada desinibição) ou irritável (hiper-reactividade desagradável, hostilidade e eventualmente agressividade a estimulo externos).

Também apresentam geralmente um aumento da energia (com agitação psicomotora), redução da necessidade de dormir, aumento da velocidade e fluxo do pensamento, podendo haver fuga de ideias (ver), e um envolvimento excessivos em actividades agradáveis que podem ter consequências nefastas (gastos extravagantesm comportamentos sexuais despropositados), etc. Nos casos graves podem ocorrer ideias delirantes e/ou alucinações e pode ser necessário o internamento.

A metilenodioximetanfetamina (MDMA), mais conhecida por ecstasy, é uma droga moderna sintetizada (feita em laboratório), cujo efeito na fisiologia humana é a diminuição aguda da reabsorção da serotoninadopamina e noradrenalina no cérebro. Como efeitos imediatos, provoca uma sensação de euforia, bem estar. É vendido sob a forma de comprimidos e ocasionalmente em cápsulas. A dose de cada comprimido consumida é variável, podendo chegar de poucos miligramas a mais de 200 mg, muitas vezes misturadas a cafeína, amido, detergentes e outras drogas. Ao contrário do que se preconiza, não tem um efeito potenciador da actividade sexual, pelo contrário.

Durante o período de intensidade do ecstasy podem surgir circunstâncias perigosas: náuseasdesidrataçãohipertermiahiponatrémiahipertensão. Estes sintomas são frequentemente ignorados pelo consumidor devido ao estado de despreocupação e bem-estar provocados pela droga, o que pode ocasionar exaustão, convulsões e mesmo a morte. Assim, tornou-se frequente ver os consumidores em todos os tipos de festas e comemorações dotados de garrafas de água ou bebidas energéticas. O seu efeito negativo (depressor) sobre o sistema cardio-respiratório é potenciado pelo consumo de álcool, podendo a conjugação destas duas substâncias levar ao choque cardio-respiratório, com morte consequente.

Nos períodos que se seguem ao uso destas drogas estimulantes podem surgir fases de depressão grave.

Tratamento dos consumos- Muitas vezes o uso destas substâncias associa-se ao de outras drogas como cocaína, cannabis, etc. Pelo que o tratamento será semelhante. Por vezes seu uso é apenas feito recreativamente, nas «festas trance».

A psicoterapia pode ser uma arma terapêutica importante, onde após um momento psicoeducativo em que se referem os efeitos deletérios destes consumos (muitas vezes desconhecidos), depois se tenta uma estratégia de redução de consumos ponderando as vantagens obtidas e os malefícios sobre a vida presente e futura. É fundamental que se compreenda, que estes consumos podem estar a ser usado como auto-medicação para situações psiquiátricas de base como a depressão. Neste caso estas perturbações deverão ser tratadas à priori.

Nos dias de hoje é utilizado para descrever situações com tristeza profunda, extrema lentidão dos processos psíquicos, anedonia, perda da ressonância emocional, sintomas vegetativos (insónia, anorexia, variações de humor diurnas- humor geralmente agrava de manhã) e inibição psicomotora grave que pode chegar ao estupor melancólico. Nestas circunstâncias podem estar presentes ideias delirantes ou sobrevalorizadas de ruína, hipocondríacas ou de culpa.

A memória permite a capacidade de fixar, conservar e rememorar informação,experiências e factos. Podemos falar de várias fases da memória:

  • Sensorial ou imediata – Com a duração de segundos.
  • Primária, recente ou a curto prazo ou de trabalho – Que dura segundos a minutos.
  • Secundária, remota ou a longo prazo – Prolonga-se desde minutos a décadas.

Um aumento da memória (Hipermnésia), caracterizada por uma capacidade mnésica muito superior ao normal com uma facilidade exagerada em recordar. Pode ocorrer com a utilização de estimulantes do SNC (anfetaminas), nos estados febris, nas vivências relativas a situações limite (com a ilusão de reviver num instante toda a vida, nas perturbações obsessivas (interesse focalizado num tema), na perturbação de stress pos-traumático (memórias em flash de emoções intensas, invulgarmente claras, detalhadas e prolongadas- flashback).

Redução da memória (Amnésias ou hipomnésias) – existe incapacidade parcial ou total de fixar, manter e evocar conteudos mnésicos. Podem ocorrer com uma base orgânica por exemplo nas demências (ver), ou ser psicogénica. Nesta ultima (amnésia dissociativa), o doente apresenta uma perda completa de memória e identidade, embora consiga desempenhar padrões de comportamento complexos e seja capaz de tomar conta de si próprio, havendo um contraste entre a perda de memória e a manutenção de uma personalidade intacta. Esta situação difere da amnésia de causa orgânica em que a amnésia total coexiste com uma incapacidade em tomar conta de si próprio.

P

Na Perturbação de Pânico (PP)- Esta patologia psiquiátrica é caracterizada pela presença de episódios de pânico (ver) sucessivos. Devido a estes episódios o paciente pode desenvolver agorafobia, situação em que o paciente teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal.

Os Episódios de Pânico consistem em períodos de alguns minutos, despoletados por sintomas físicos de ansiedade (dôr no peito, palpitações, dificuldade em respirar, náuseas, etc). Perante estes sintomas o paciente desencadeia pensamentos catastróficos (vou morrer, vou enlouquecer, etc). Estes pensamentos lógicamente vão aumentar os níveis de ansiedade que trazem mais sintomas físicos de ansiedade. Cria-se assim um ciclo vicioso e que se autoalimenta. Estes episódios ocorrem geralmente na Perturbação de Pânico.

O tratamento da PP faz se com psicofármacos e psicoterapia. No entanto é importante excluir antes de mais outras patologias que possam «imitar» esta perturbação. Podem ser várias entre as quais doençças do coração, das hormonas, etc. Por isso o psiquiatra pede logo uma bateria de exames para que também o paciente se possa tranquilizar.

Em relação aos psicofármacos, são utilizados tranquilizantes (ver), de forma continua por curtos periodos, podendo se manter depois apenas em SOS ver) e antidepressivos ISRS (ver). A psicoterapia mais eficaz aqui é a cognitivo-comportamental, em que antes de mais é explicado o ciclo do pânico (descrito atrás) e pedido ao paciente que tente criar pensamentos alternativos para substituir os pensamentos catastróficos descritos acima (-não me vai acontecer nada, já fiz os exames todos; -tenho estas crises há imenso tempo passam depois de uns minutos e melhoram com calmantes, etc).

Correspondem a um padrão estável e duradoiro de experiências internas e comportamentos que se afastam marcadamente do esperado para o indivíduo numa dada cultura, é invasivo e inflexível e origina sofrimento ou disfunção no funcionamento social e profissional. Tem início na adolescência ou no adulto jovem e é estável ao longo do tempo.

Estão divididas em 3 grandes grupos ou clusters:

– Cluster A: Indivíduos excentricos ou estranhos

Perturbação Paranóide da Personaidade- existe um padrão mantido de desconfiança e suspeição, as motivações alheias são interpretadas como malévolas

Perturbação de Personalidade Esquizóide- em que existe um alheamento da vida social e redução da expressividade emocional

Perturbação de Personalidade Esquizotípica- é predominante um comportamento excêntrico, pode haver tendência a desenvolver alucinações e delirios

-Cluster B: Indíviduos dramátios, instáveis

Perturbação de personalidade anti-social- predomina um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros

Perturbaçao de personalidade narcísica- tendência para engrandecer as suas características pessoais e qualidades, necessidade de ser apreciado e enaltecido, ausência de empatia

Perturbação Histriónica da personalidade- padrão de excessiva emocionalidade, dramatismo e apelatividade

Perturbação de personalidade estado-limite (border-line)- padrão de grande instabilidade no relacionamento interpessoal e na autoimagem, grande impulsividade. Pode associar-se a comportamentos autolesivos (cortar-se, agredir-se por exemplo).

-Cluster C – Individuos evitantes, ansiosos

Perturbação de personalidade dependente- padrão de comportamento submisso, pegajoso associado a excessiva necessidade de cuidados dos outros

Perturbação de personalidade evitante- padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa

Perturbação obsessiva-compulsiva da personalidade- padrão de pereocupação com a ordem, perfeccionismo e controlo.

Nesta patologia psiquiátrica esta presente a na sua componente corporal (sintomas físicos da ansiedade como a dor no peito, dificuldade respiratória, boca seca, suores, tremores, palpitações, náuseas, dor abdominal, dores de cabeça, etc) e a componente psicológica (pensamentos, ideias, crenças ou imagens associadas à sensação de medo e perigo eminente). Esta situação é muito duradoira, e muitas vezes acompanha o indivíduo durante toda a sua vida. Pode ocorrer por períodos de maior agravamento, quando se recorre à medicação, com períodos de maior tranquilidade.

O tratamento da PAG faz-se com psicofarmácos e psicoterapia. No primeiro caso são escolhidos numa primeira fase os tranquilizantes (ver), que apenas devem ser dados durante um curto espaço de tempo e associam-se um tipo de antidepressivos, os inibidores selectivos da recaptação de serotonina ISRS (ver). A psicoterapia que demonstrou ser mais eficaz é a cognitivo-comportamental. Aqui tenta-se desconstruir as crenças irracionais associadas ao medo exagerado e ensinam-se técnicas de relaxamento para reduzir os níveis de ansiedade. A actividade desportiva também é muito aconselhada.

Perturbação psiquiátrica caracterizada pela presença de obsessões (ver) e compulsões (ver).

Muitas vezes surge em pessoas com a personalidade obsessiva-compulsiva (muito perfeccionistas, com uma necesseidade grande de controlo, grande preocupação com a limpea e arrumação).

Trata-se de uma doença que começa geralmente numa idade precoce e acompanha cronicamente os doentes que dela padecem. É de difícil tratamento mas em grande parte dos casos consegue-se uma melhoria significativa (embora que quase nunca desapareça completamente).

Tratamento

Pode ser feito através de psicofármacos ou através de psicoterapia.

O tipo de psicoterapia mais estudado e com melhores resultados na POC é a congitivo-comportamental. Os objectivos da psicoterapia são sobretudo as técnicas de afastamento das ideias obsessivas. Podem ser técnicas de distracção, de paragem de pensamento, associadas a técnicas de relaxamento. Um factor importante é que não se evitem as situações que estimulem o aparecimento das obsessões e compulsões, mas sim quando elas aparecem arranjar estratégias de as afastar.

O tratamento psicofarmacológico pode ser feito através de antidepressivos ISRS (ver) em doses altas ou antidepressivos triciclicos como a clomipramina (ver). Nos casos resistentes pode adicionar-se um antipsicótico em doses baixas (como a risperidona, por exemplo).

Conjunto de medicamentos utilizados em psiquiatria.

Sindroma psiquiatrica onde estão presentes alucinações e delírios.

Termo que se refere à intima ligação entre o corpo e a mente. A psicossomática estuda este tipo de interacções. Classicamente designa-se por uma perturbação psicossomática aquela que pode ter uma apresentação física mas cuja causa é pelo menos em parte psicológica. Várias são as doenças de pele, do foro gastro-intestinal, entre outras, que são causadas/agravadas por factores psicológicos

Refere-se ao grupo de psiquiatras e psicólogos especializados em tratar problemas psiquiatricos em doentes com patologia médica. Por exemplo são aqueles que nos hospitais vão aos vários serviços de medicina avaliar e tratar os pacientes que além do problema médico que os levou a ser internados apresentam também problemas do foro psíquico. São também os que mais sabem sobre perturbaçoes psicossomáticas.

T

Traços característicos estáveis de natureza emocional de um indivíduo, a qualidade e labilidade preponderantes no seu humor, a prontidão e intensidade das suas reacções emocionais. Trata-se de uma predisposição com possível base genética. Poderá falar-se de 5 tipos principais de temperamento:

    • Temperamento hipertímico – pessoa tendencialmente optimista, com alto nível de energia.
    • Temperamento distímico – pessoa tendencialmente pessimista, com baixo nível de energia.
    • Temperamento ciclotímico – pessoa com tendência a variações bruscas do estado de ânimo.
    • Temperamento irritável – pessoa predominantemente impaciente, com baixo nível de tolerância.
    • Temperamento ansioso – pessoa tendencialmente preocupada, com maior sensibilidade ao ambiente externo.

Necessidade de quantidades crescentes de uma droga/substância para atingir o efeito desejado e diminuição acentuada do efeito com a utilização continuada da mesma quantidade

Este grupo de psicofármacos tem como principal objectivo o tratamento a curto-médio prazo dos sintomas de ansiedade  coproprais e psicológicos. É maioritáriamente representado pelo grupo das Benzodiazepinas. Estes medicamentos têm a particularidade de poder criar com facilidade dependência e por isso devem ser administrados por curtos periodos ou em caso de urgência (SOS). A buspirona não possui tanto potencial de dependência embora também não seja tão eficaz.

Classe Tipos Indicações
Benzodiazepinas Alprazolam (Xanax®)Bromazepam (Lexotan®, Bromalex®)Lorazepam (Lorenin®)Loflazepato de Etilo (Victan®) Tratamento da ansiedade por curtos períodos ou em caso de urgência (sos)
Outros Buspirona (Busansil®) Tratamento da ansiedade

Hipnóticos- Psicofármacos utilizados para induzir o sono. Este grupo é maioritariamente representado por um tipo de benzodiazepinas mais fortes que aquelas usadas como tranquilizantes. Estes medicamentos têm a particularidade de poder criar com facilidade dependência e por isso devem ser administrados por curtos periodos ou em caso de urgência (SOS). Outros medicamentos utilizados para o tratamento da insónia incluem o zolpidem e um antidepressivo a trazodona.

Classe tipos indicaçoes
Benzodiazepinas Flurazepam (Morfex®)Temazepam (Normisson®)Estazolam (Kainever®) Tratamento da ansiedade por curtos períodos ou em caso de urgência (sos)
Outros medicamentos usados como hipnoticos Zolpidem (Stilnox®)Trazodona (Triticum®, Trazone®) Tratamento da insónia

B

A perturbação bipolar caracteriza-se pela alternância de episódios depressivos com episódios de elevação do humor. Quando os episódios de elevação do humor são mais graves (Mania), estamos perante uma Perturbação Bipolar do tipo I, quando eles são menos graves (Hipomania) ocorre a Perturbação Bipolar do tipo II.

O tratamento é feito com estabilizadores de humor (ver), para evitar a alternância mania/hipomania/depressão. É preciso ter muito cuidado com o uso de antidepressivos nas fases depressivas porque podem precitar crises de mania nestes pacientes.

O apoio psicoterapêutico também é fundamental. Nomeadamente para tentar implementar mecanismos de adaptação e de aprender a lidar com as situações adversas de vida que podem precipitar as crises maniacas/depressivas.

A evolução desta patologia, quando tratada, pode ser muito boa, podendo os pacientes fazer uma vida normal, e geralmente sem qualquer declínio das suas funções intelectuais.

C

A cannabis, a mais popular das drogas ilegais, pode ser conhecida por diferentes nomes de rua como charro, chamon, liamba, erva, chocolate, tablete, taco, curro, ganza, hax, hash, maconha, óleo (óleo de haxixe), boi ou cânhamo. Os canabinóides são derivados da planta Cannabis Sativa. O THC é tipicamente considerado o principal componente ativo da planta cannabis.

Existem três formas de preparação:“marijuana ou erva” – preparada a partir das folhas secas, flores e pequenos troncos da Cannabis Sativa. Provém de várias “castas”, sendo a mais forte o Skunk (quanto mais forte, maior a quantidade de THC, a substância que provoca os efeitos); ” haxixe” – preparado a partir da resina da planta fêmea, a qual é transformada numa barra de cor castanha, com o nome coloquial de “chamom”. É potencialmente mais tóxico do que a marijuana, dado que o seu conteúdo em THC (até 20%) é superior ao desta (de 5% a 10%). Os tipos de resina ou haxixe mais comuns são o marroquino, o libanês e o pólen; “ó leo de cannabis ou óleo de haxixe” – preparado a partir da mistura da resina com um dissolvente (acetona, álcool ou gasolina), que se evapora em grande medida e dá lugar a uma mistura viscosa, cujas quantidades em THC são muito elevadas (até 85%).

Estas substâncias são principalmente consumidas por ingestão e inalação. Quando fumada, a cannabis é misturada com tabaco em cigarros feitos manualmente ou em cachimbos.

Efeitos do seu consumo:

Os canabinóides podem provocar prazer, bem-estar, euforia, intensificação da consciência sensorial, maior sensibilidade aos estímulos externos.

No entanto também podem provocar o aumento da ansiedade, chegando mesmo a ataques de pânico e o aparecimento de delirios e alucinações.

Geralmente também se associa a lentificação da capacidade de reação, défice na aptidão motora ou interferência na capacidade de condução de veículos e outras máquinas.

Do ponto de vista físico pode associar-se a uma aceleração do ritmo cardiaco, aumento da pressão arterial, congestão dos vasos conjuntivais (olhos encarnados), etc.

Estes efeitos surgem repentinamente e persistem durante 2 a 4 horas, variando consoante as doses, da potência da droga, da maneira como é consumida.

Embora a dependência não seja muito frequente, o consumo persistente pode provocar varios problemas entre os quais se destacam:

– O chamado «sindroma amotivacional», caracterizado por uma desmotivação permanente que leva a que os consumidores abandonem estudos e trabalhos e passem a ter uma vida sem grandes objectivos.

– Pensa-se que o consumo continuado de cannabis antes dos 18 anos de idade pode associar-se a danos permanentes na inteligência, atenção e memória.

– Também está bem estabelecida a relação entre o consumo de cannabis e o aparecimento de doenças psiquiátricas graves como a esquizofrenia, em pacientes que tenham uma predisposição para tal.

Tratamento- O tratamento mais preconizado nestes casos é a psicoterapia onde após um momento psicoeducativo em que se referem os efeitos deletérios destes consumos (muitas vezes desconhecidos), depois se tenta uma estratégia de redução de consumos ponderando as vantagens obtidas e os malefícios sobre a vida presente e futura. É fundamental que se compreenda, que o consumo de cannabis pode estar a ser usado como auto-medicação para situações de ansiedade e depressão de base. Neste caso estas perturbações deverão ser tratadas à priori.

“Classificação Internacional de Doenças-CID”, foi estruturada pela Organização Mundial da Saúde e inclui uma organização das árias patologias médicas, e não apenas das psiquiátricas. Constitui uma alternativa para a classificação das perturbações psiquiátricas, sendo a sua versão mais recente a CID-10.

Impulso de roubar de objectos alheios precedido de intensa ansiedade e apreensão que apenas se alivia quando se realiza o roubo.

É uma droga ilícita extraída das folhas de coca e usada em forma de pó. O pó é geralmente misturado com substâncias tais como o amido de milho, pó de talco e/ou açúcar ou outras drogas como a procaína (um anestésico local) ou anfetaminas.

É mais comummente inalada pelo nariz, sendo o pó absorvido pela circulação sanguínea através do tecido nasal. Pode também ser ingerida ou friccionada nas gengivas.

Para a droga ser absorvida mais rapidamente pelo corpo, os toxicodependentes injectam–na, mas isto aumenta substancialmente o risco de overdose. Inalando–a como fumo ou vapor acelera a absorção com menos riscos para a saúde do que uma injecção.

Quando expostos a ela os pacientes experimentam uma euforia à qual os consumidores desenvolvem uma tolerância rapidamente (vão precisando de doses cada vez mais elevadas para obter semelhante efeito).

Nos períodos que se seguem ao uso destas drogas estimulantes podem surgir fases de depressão grave.

O uso da cocaína pode levar à morte por falha respiratória, hemorragia cerebral (derramamento de sangue no cérebro) ou ataque cardíaco. Os filhos de mães toxicodependentes em cocaína podem sofrer de defeitos congénitos.

O Tratamento da uso de cocaína é muito difícil. A psicoterapia pode ser uma arma terapêutica importante, onde após um momento psicoeducativo em que se referem os efeitos deletérios destes consumos (muitas vezes desconhecidos), depois se tenta uma estratégia de redução de consumos ponderando as vantagens obtidas e os malefícios sobre a vida presente e futura. É fundamental que se compreenda, que estes consumos podem estar a ser usado como auto-medicação para situações psiquiátricas de base como a depressão. Neste caso estas perturbações deverão ser tratadas à priori. Há alguns fármacos como o topiramato e a olanzapina que provaram ser eficazes na redução/cessação dos consumos, devendo sempre ser prescritos por um médico psiquiatra.

Os grupos terapêuticos do tipo «narcóticos anónimos» podem ser muito úteis, pois contam com a presença de pacientes que padecem da mesma situação e que podem trocar experiencias e modos de vencer as situações.

Relaciona-se com o processo de aquisição de conhecimento. A cognição envolve fatores diversos como o pensamento, a linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio etc., que fazem parte do desenvolvimento intelectual.

Impulso ligado a comportamentos sexuais irresistíveis e habitualmente ligadas a situações de risco

Impulso ligado a compras excessivas e irreflectidas, sem observar a utilidade e sem ter necessidade ou capacidade para as utilizar. Referência a sentimento de alívio depois das compras seguido de sentimento de arrependimento e culpa.

A consciência pode definir-se como um estado em que o indivíduo está ciente em relação a si próprio e ao meio que o rodeia. Depende do bom funcionamento das seguintes funções: Atenção; Memória; Orientação; Percepção e Pensamento.

Podemos afirmar que a pessoa está inconsciente quando não existe uma experiência subjectiva de consciência, pode acontecer em casos de doença cerebral ou durante o sono. Porém, ela pode estar alterada em casos de patologia psiquiátrica ou orgânica.

actos motores (verificação-exemplo: verificar várias vezes a fechadura ou se as janelas estão fechadas; limpeza- exemplo: lavar persistentemente as mãos) ou mentais (recitar orações, provocar pensamentos ou imagens neutralizantes), que são irresistíveis e reduzem a ansiedade provocada pelas obsessões. Geralmente estão associados às obsessões na perturbação obsessiva compulsiva.

Descrição detalhada e falsa de um acontecimento que alegadamente ocorreu no passado. Ocorre geralmente nas demências para preencher lacuna mnésica. São caracteristicamente sugestionáveis (influenciadas por sugestões exteriores), são plásticas (vão mudando ao longo do tempo, de acordo com as circunstâncias). Apesar de algumas asserções serem contraditórias, o doente não procede, habitualmente a qualquer tentativa para as corrigir.

É a forma cristalizada de cocaína, a qual normalmente se apresenta em forma de pó.Vem em blocos sólidos ou cristais, variando em cor desde o amarelo indo até ao rosa pálido ou branco.O crack é aquecido e fumado. Chama–se assim porque faz o som de um pequeno estouro ou estalido quando é aquecido.O crack, a forma mais potente da cocaína, é também a mais perigosa. É entre 75% e 100% puro, muito mais forte e mais potente que a cocaína regular. Ver cocaina

D

Uma crença falsa , inabalável, que contrasta com o contexto cultural e social dos doente. Caracterizam-se por serem irredutiveis (por mais que argumentemos não conseguimos influenciar a convicção do doente), se acompanharem de convicção plena (o doente tem uma certeza subjectiva absoluta, evidência à priori, independente da experiência) serem incompreensiveis (não conseguimos compreender o seu aparecimento com base no contexto sociocultural do doente). Varia em relação ao seu conteúdo: Persecutório (mais tipico da esquizofrenia), Grandiosidade (mais tipico da mania grave), Ruina (mais tipico da depressão grave)

Sindroma de abstinênca provocada pela cessação abrupta do consumo de álcool em consumidores crónicos com dependência de álcool. Entre os sintomas destacam-se um tremor grave, aumento da sudação, confusão mental, alucinações (doentes referem que vêem pequenos insectos ou animais- chamdas as microzoópsias), conculsões, etc. Pode terminar em coma e morte se não for tratado por um médico com fármacos apropriados.

Perturbação neuro-psiquiátrica (tanto pode ser tratada por psiquiatras como por neurologistas). Conjunto de patologias que se caracterizam pelo declínio progressivo e global das funções cognitivas (Défice de memória, afasia (défices na linguagem como empobrecimento do vocabulário), agnosia (dificuldade em reconhecer objetos), apraxia (dificuldade em desempenhar as tarefas simples, mesmo sem défices motores)) e das funções executivas (capacidade de planear e executar tarefas complexas). Também podem estar presentes alterações emocionais (depressão, anedonia, apatia (ver)), do pensamento (ideias delirantes e confabulações (ver)), da percepção (alucinações (ver)) e alterações da motricidade (lentificação ou agitação psicomotora).

Atualmente, a demência constitui uma das principais causas de incapacidade para os doentes e de sobrecarga para os cuidadores e serviços de saúde. Foi estimado que em 2005 existiam 24 milhões de indivíduos com demência em todo o mundo e que este número duplicará a cada 20 anos. Existe uma clara relação entre o risco de demência e a idade: a prevalência é de 5% na população acima dos 65 anos mas atinge os 20% na faixa etária acima dos 80 anos.[A demência de início precoce (abaixo dos 65 anos) é rara e, no caso da doença de Alzheimer, sugere uma causa genética.

Os dois principais tipos de demência são a demência vascular e a doença de Alzheimer.

-Doença de Alzheimer: Resulta de alterações a nível da estrutura cerebral (pela deposição de placas amilóides e de tranças neurofibrilhares).

-Demência vascular: Resulta de pequenos AVC (acidente vascular cerebral) que vão ocorrendo ao longo do tempo no cérebro.

Diagnóstico: O diagnóstico da demência faz-se através de testes neuropsicológicos, efectuados por um neuropsicólogo especializado. A TAC e a RM podem revelar nos casos de demência vascular pequenas calcificações ao longo do cérebro, que resultam dos pequenos AVCs e no caso da Doença de Alzheimer podem revelar atrofias (redução de tamanho) de determindas regiões cerebrais.

Devem se fazer análises de sangue para excluir situações que podem simular a apresentação clinica das demências, nomeadamente os défices de vitamina B12 e as alterações da função tiroideia.

Evolução: Infelismente as demências têm uma evolução progressiva que muitas vezes apesar do tratamento não se consegue travar a 100%. Porém as novas estratégias farmacológicas e não farmacológicas vieram definitivamente melhorar o curso das demências sobretudo quando estas são diagnosticadas no inicio do seu curso.

Tratamento: O tratamento mais eficaz é feito com os psicofármacos antidemenciais como é o caso dos Inibidores da Acetil-colinesterase (donepezilo, rivastigmina, galantamina). Estes estão disponíveis em comprimidos e alguns deles em solução oral e mesmo em sistema transdermico (autocolante com o principio activo que vai libertando o fármaco através do contacto com a pele). Estas ultimas formas de administração são particularmente úteis nos pacientes que se recusam a tomar os comprimidos. A memantina é outro medicamento mais recente que se actua de forma diferente dos do outro grupo. Existem outros medicamentos não sujeitos a receita médica disponíveis para estas situações entre os quais se destaca o ginkgo biloba (Gincoben®, Acutil®). A eficácia em relação a estes ultimos não é consensual.

Podem ser administrados outros psicofármacos nos casos de agitção psicomotora os antipsicóticos e nos casos de alterações de humor como a depressão, antidepressivos.

Estratégias não farmacológicas podem ser úteis como a estimulação cognitiva (estimulação das capacidades cognitivas do paciente como a memória, o cálculo, raciocínio) e o ajudá-lo no processo de adaptação à doença. As atividades desenvolvidas têm como fim a estimulação das capacidades da pessoa, preservando, pelo maior período de tempo possível, a sua autonomia, conforto e dignidade.

Associações: http://alzheimerportugal.org/pt/text-0-9-35-30-intervencao-nao-farmacologica.

Corresponde a um padrão desadaptativo da utilização de substâncias caracterizado pela presença de: tolerância (necessidade de quantidades crescentes de substância para atingir o efeito desejado e diminuição acentuada do efeito com a utilização continuada da mesma quantidade); presença de sindrome de abstinência típico da substência e incapacidade de diminuir ou controlar a utilização da substância, apesar dos danos que ela provoca. Pode ocorrer em relação ao álcool, e drogas ilícitas como a heroina, a cocaina, e o cannabis.

O termo depressão pode ter três significados diferentes::1) Sintoma isolado sendo aqui sinónimo de Humor Depressivo (ver) 2) Síndrome (agrupando vários sintomas característicos da depressão como humor depressivo (ver), anedonia (ver)) e 3) Doença (na óptica do modelo médico, com uma causa, uma apresentação e um tratamento –toma o nome de perturbação depressiva).

Corresponde a uma patologia mental em que são predominantes o Humor Depressivo (tristeza patológica sem desencadeante ou, perante um estímulo apresentando, com uma intensidade e duração desproporcionadas), a Anedonia (dificuldade em ter prazer pelas coisas que anteriormente davam prazer). Também é frequente haver falta de energia, insónia (sobretudo terminal- dificuldade em manter o sono apos acordar cedo demais), ideias de morte ou mesmo ideação suicida.

Também não é raro haver sintomas físicos, dores prolongadas em vários sitios do corpo por exemplo, bem como ansiedade.

A evolução desta situação pode ser variável. Na maioria dos casos após um episódio depressivo acaba por haver uma recorrência no futuro próximo ou longínquo. No entanto há caso de episódios depressivos isolados na vida de um paciente. Noutros casos menos frequentes há depressões que são crónicas (perturbação depressiva major persistente ou distimia). Nestes ultimos casos opta-se pela administração crónica de antidepressivos em doses reduzidas, que sendo das gerações mais recentes não apresentam riscos importantes. Pelo contrário riscos e consequencias mais graves se associam aos sintomas depressivos mantidos. Está comprovado que a sintomatologia depressiva não tratada pode ter consequências graves a nível da saude mental e também física.

Frequentemente fala-se de dois tipos de depressão: a depressão endógena cuja designação se relaciona com o facto de poder ter uma etiologia de base orgânica e de responder melhor à medicação psicofarmacológica, e depressão reactiva (também chamada neurótica, situacional), que ocorre geralmente em pessoas com problemas de personalidade prévios e existe uma pior resposta à medicação antidepressiva e melhor à psicoterapia. No entanto este tipo de designações está desactualizada porque hoje em dia aceita-se que a depressão resulte de uma combinação de factores mais biológicos (hereditários) com factores de natureza adquirida ao longo do crescimento dos pacientes.

Tratamento?

O tratamento da perturbação Depressiva faz se através de dois vectores: Farmacoterapia, Psicoterapia.

Farmacoterapia

O tratamento antidepressivo é feito com os vários antidepressivos disponiveis no mercado (er antidepressivos). Geralmente começa-se por medicamentos mais fracos e bem tolerados como os ISRS, no caso destes não serem eficazes avança-se para os ISRSN e na falência de todos estes experimenta se os Triciclicos, que são os mais eficazes no tratamento da depressão, mas também os que podem apresentar mais efeitos secundários.

Psicoterapia

Podem ser úteis vários tipos de psicoterapia, nomeadamente a psicoterapia de inspiração psicanalítica ou a psicoterapia cognitiva-comportamental.

De acordo com os diferentes estudos a que se tem mostrado mais eficaz na redução dos sintomas depressivos é a psicoterapia cognitivo-comportamental.

Tem por base a tríade cognitiva (visão negativa de si mesmo, visão negativa das suas interacções com o meio ambiente e visão negativa do futuro) e vários pensamentos automáticos característicos (como a inferência arbitrária, a abstracção selectiva, a hipergeneralização, entre outros) presentes nos episódios de depressão.

-Tríade cognitiva: Consiste nos três padrões cognitivos major, típicos dos doentes deprimidos: visão negativa de si mesmo (vê-se a si próprio como inadequado ou defeituoso), visão negativa das suas interacções com o meio ambiente (assumindo-se como derrotado nas situações de interacção com o meio ambiente) e visão negativa do futuro (antecipa que o seu sofrimento permanecerá indefinidamente).

-Pensamentos automáticos: Estes pensamentos correspondem a erros sistemáticos no pensamento da pessoa deprimida e que em conjunto caracterizam os esquemas cognitivos (inferência arbitrária (extrair uma conclusão específica na ausência de evidências para apoiar a conclusão), abstracção selectiva (focalizar um detalhe extraído do contexto, ignorando outros factos), hipergeneralização (extrair uma regra geral ou conclusão com base num ou mais incidentes isolados e aplica-la indiscriminadamente), magnificação/minimização (erros de avaliação da importância ou magnitude de um evento), personalização (propensão a relacionar eventos externos a si próprio, sem base para tal conexão), pensamento dicotómico (tendência a colocar todas as experiências em uma entre duas categorias opostas)) .

A terapia cognitiva-comportamental consiste em treinar formas mentais e comportamentais de desafiar e eliminar estes pensamentos.

Psiquiátrico- o diagnostico psiquiatrico é feito de acordo com os sistemas classificativos presentes nos manuais DSM e CID. Estes manuais são usados não só no diagnóstico feito pelos médicos e psicólogos mas também na investigação e em questões relacionadas com a justiça, a segurança social e com os seguros.

Os sistemas classificativos mais usados actualmente são os desenvolvidos pela Associação Psiquiátrica Americana (o “Diagnostic and Statistical Manual – DSM – of Mental Disorders”) e pela Organização Mundial da Saúde (a Classificação Internacional de Doenças – CID).

É um neurotransmissor (ver) que quando aumentado em determinadas localizações cerebrais pode, através da activação dos chamados receptores D2, causar sintomas como as alucinações e os delírios. A inibição destes receptores é feita pelos antipsicóticos. A redução da dopamina no sistema nervoso, também pode estar associada ao aparecimento de algumas perturbações psiquiátricas, nomeadamente a perturbação depressiva. Alguns antidepressivos podem aumentar este neurotransmissor nas sinapses.

“Diagnostic and Statistical Manual – DSM – of Mental Disorders”- Manual que inclui um dos mais usados sistemas classificativos das perturbações psiquiátricas. É da responsabilidade da Associação Psiquiátrica Americana. Ao longo do século XX foram várias as revisões feitas e publicadas em diferentes edições. A versão mais actualizada saiu em 2014 e é o DSM-5.

F

ou pensamento ideofugitivo – Em que uma ideia segue imediatamente a outra e o pensamento muda constantemente de objectivo em função das associações e perde a sua finalidade (não há um regresso ao pensamento principal). Ocorre sempre na presença de pensamento acelerado. As associações da cadeia do pensamento são determinadas por associações casuais sonoras, verbais (por exemplo assonâncias, aliterações, etc.) ou pela presença de estímulos exteriores contingentes, entre outras. Por exemplo: “Sr Doutor tenho amor pelas árvores e a cor … dos meus olhos… (toca o telefone)… deve ser para mim da presidência da república… pública sou uma figura pública”. Ocorre tipicamente  na mania.

H

A heroína é uma droga ilícita, que, tal como o ópio e a morfina, é feita a partir da resina das papoilas. O ópio, esbranquiçado, tipo seiva é removido em primeiro lugar da cápsula da flor da papoila. Este ópio é refinado para fazer a morfina, depois ainda mais refinado em diferentes formas de heroína. Esta droga facilmente provoca dependência. Como tal a descontinuação do seu uso provoca graves sindromes de abstinência que leva os toxicodependentes a fazer tudo para obterem a droga.

A maioria da heroína é injectada, criando riscos adicionais para o consumidor, que se arrisca a contrair SIDA/AIDS ou outra infecção, a somar ao problema da dependência.

O tratamento eficaz implica sempre medidas farmacológicas administradas por um médico psiquiatra.

O tratamento mais preconizado actualmente é feito com fármacos agonistas. Estes são opióides de acção prolongada que acabam por substituir a heroina. Destacam-se a metadona, ou a buprenorfina. Após o inicio de tratamento com estes fármacos, promove-se uma diminuição da dosagem moderadamente e ao longo do tempo. Enquanto a metadona apenas pode ser obtida nos Serviço Nacional de Saúde, a buprenorfina pode ser comprada na farmácia mediante receita de um médico psiquiatra.

Também há alguns centros que preconizam o tratamento com antagonistas, como a naltrexona (que inibem os receptores onde actuam os opioides como a heroina). No imediato, este tratamento é muito perigoso devido ao aparecimento de sindrome de privação, que deverá ser tratado por médicos psiquiatras experientes.

LSD- É uma droga ilicita obtida a partir do ácido lisérgico, que se encontra na ferrugem das gramíneas, um fungo que se desenvolve no centeio e outros grãos. LSD é a sigla de Lysergsäurediethylamid, palavra alemã para a dietilamida do ácido lisérgico, que é uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas. É produzido na forma de cristal em laboratórios ilegais. Estes cristais são convertidos num líquido para distribuição. É inodoro, incolor e tem um leve gosto amargo.Conhecido como “ácido” e por muitos outros nomes, o LSD é vendido na rua em pequenas tabletes (“micropontos”), cápsulas ou quadrados de gelatina (“window panes”). Algumas vezes é adicionado a papel absorvente, o qual é depois dividido em pequenos quadrados decorados com desenhos ou personagens de desenhos animados (“loony toons”). Ocasionalmente é vendido em forma líquida. Mas sem importar em que forma aparece, o LSD leva o consumidor ao mesmo lugar — uma séria desconexão da realidade.

Os consumidores de LSD chamam “viagem” a uma experiência com LSD — a qual tipicamente é de 12 horas ou algo assim. Caracteriza-se pelo aparecimento de alucinações (os pacientes vêem coisas que não existem), acompanhada de euforia. No entanto nem sempre as coisas correm assim e os pacientes sofrem experiências traumatizantes. A gravidade destes sintomas pode requerer o tratamento numa urgência de psiquiatria por um médico psiquiatra.

Nos períodos que se seguem ao uso destas drogas estimulantes podem surgir fases de depressão grave.

Tratamento – Muitas vezes o uso destas substâncias associa-se ao de outras drogas como cocaína, cannabis, etc. Pelo que o tratamento será semelhante. Por vezes o uso de LSD é apenas feito recreativamente, nas «festas trance».

A psicoterapia pode ser uma arma terapêutica importante, onde após um momento psicoeducativo em que se referem os efeitos deletérios destes consumos (muitas vezes desconhecidos), depois se tenta uma estratégia de redução de consumos ponderando as vantagens obtidas e os malefícios sobre a vida presente e futura. É fundamental que se compreenda, que estes consumos podem estar a ser usado como auto-medicação para situações psiquiátricas de base como a depressão. Neste caso estas perturbações deverão ser tratadas à priori.

Corresponde a um episódio de perturbação de humor muito semelhante à Mania, mas de menor gravidade. Nunca se pode associar por exemplo a ideias delirantes e/ou alucinações e nem à necessidade de um internamento.

Estado afectivo basal do sujeito, sendo o sinónimo de estado de ânimo. Corresponde a uma disposição emocional a longo termo, prevalecente, que dá a tonalidade à forma subjectiva de percepção do mundo. A aparição de um estado de ânimo pode ser espontânea ou ser precedida por estímulos concretos, internos ou externos.

O Humor Eutímico considera-se um estado “normal” de Humor, sem predomínio de nenhum tipo particular de emoção.

Alterações hipertimicas (de elevação de humor) destacam-se:

Dentro da Normalidade
– Alegria – sentimento positivo de bem-estar.

Patológicas (apresentadas de forma crescente em termos de intensidade)
– Euforia – Aqui está presente uma alegria patológica desproporcionada à circunstância e que se traduz por um estado de completa satisfação e felicidade. Ocorre principalmente na mania/ hipomania

– Expansão – Corresponde a um estado de marcada boa disposição associada a dificuldade de controlo das próprias emoções o que leva a uma marcada desinibição. Ocorre principalmente na mania/ hipomania.

– Exaltação – Não está apenas presente euforia mas também aumento da convicção do próprio valor e das aspirações (o que pode originar nos casos mais graves ideias delirantes megalómanas/de grandiosidade). Associada geralmente a grande agitação psicomotora. Ocorre principalmente na mania.

– Extase– Trata-se de um estado de alegria intensa, experiência de beatitude, com sensação de dissolução do Eu e tendência a compartilhar estados afectivos interiores. Como os anteriores poderá ocorrer ma mania, mas também é possível acontecer nos extases místicos, no transe histérico, na epilepsia (estados crepusculares), e na esquizofrenia.

– Todos estes estados elevados de humor podem acompanhar-se de: 1) Alterações da motricidade (nos casos menos graves estão alterados os movimentos expressivos (vivacidade da mímica facial, aumento da gesticulação) nos mais graves está presente a agitação psicomotora generalizada); 2) Alterações do pensamento (nos casos menos graves está alterado o curso do pensamento com aceleração do pensamento e fuga de ideias, nos mais graves pode haver alterações do conteúdo do pensamento com ideias delirantes, geralmente de grandiosidade).

Alterações hipotimicas

Dentro da Normalidade
– Tristeza normal – Adequada às circunstancias que a provocam, em termos de intensidade e duração.

Patológicos
– Humor depressivo: É o sintoma de base das Perturbações Depressivas embora não seja sinónimo da mesma, uma vez que nos quadros depressivos além do humor depressivo estão normalmente presentes outros sintomas como a anedonia, alterações da energia vital (alterações da libido, do sono, redução da energia vital), da actividade motora (hipocinésia), entre outros. No humor depressivo predomina a tristeza patológica sem desencadeante ou, perante um estímulo apresentando, com uma intensidade e duração desproporcionadas. Estão presentes a tríade cognitiva (visão negativa de si mesmo, visão negativa das suas interacções com o meio ambiente e visão negativa do futuro) e vários pensamentos automáticos característicos (como a inferência arbitrária, a abstracção selectiva, a hipergeneralização, entre outros) (Nota Histórica 13). (Vinheta Clínica 14).

L

mudanças rápidas e imotivadas no estado emocional geralmente independentes dos estímulos externos. Pode ocorrer na Perturbação Bipolar.

N

Células que fazem parte do sistema nervoso. São compostas  no seu centro pelo corpo neuronal, por uma dendrite que transporta a informação para o corpo neuronal desde a sinapse e por um axónio que transporta a informação do corpo neuronalaté à sinapse

Moléculas que são libertadas por um neurónio e captadas pelo neurónio adjacente. É através delas que os neurónios comunicam entre si.

É um neurotransmissor, cuja redução no sistema nervoso, que se pensa estar associada ao aparecimento de algumas perturbações psiquiátricas, nomeadamente a perturbação depressiva. Os antidepressivos podem aumentar este neurotransmissor nas sinapses.

O

Ideias persistentes que ocorrem contra a vontade do doente (que as sente como intrusivas, parasitas e inaceitáveis, resistindo contra elas -egodistónicas) e que se associam a uma elevada carga ansiogénica. Geralmente a temática destas ideias é repugnante para o doente (um doente que seja muito religioso poderá ter pensamentos blasfémicos, alguém sensível às questões morais, pensamentos relacionados com a tortura de outros, alguém sensível às questões da sexualidade, pensamentos relacionados com esta área, etc). Existe também manutenção da autocrítica relativamente ao carácter patológico deste problema (manutenção do insight) (o paciente compreende que estes pensamentos provêm da sua doença).

Embora se fale geralmente de ideias obsessivas, as obsessões podem também tomar a forma de imagens (por exemplo um doente refere que vê imagens dele a abusar de uma criança, ou a esfaquear alguém) ou impulsos (de tocar, cometer actos sociais reprováveis, etc), medos (de contaminação, por exemplo, os medos obsessivos são também denominados fobias obsessivas –ver fobias), duvidas, etc.

Quanto aos temas obsessivos, destacam-se: as ideias relacionadas com contaminação, preocupação com possíveis doenças, as dúvidas (existenciais, filosóficas, entre outras), necessidade de simetria, ideias com teor agressivo, sexual ou religioso, etc.

As obsessões levam muitas vezes a compulsões.

As obsessões são típicas de perturbações ansiosas (sobretudo da perturbação obsessiva compulsiva), mas também em perturbações depressivas.

A orientação é a capacidade de se identificar e de se situar adequadamente no tempo, espaço, na sua situação pessoal e no geral. Há 4 tipos de perturbações da orientação (7,8):

  • Desorientação no Tempo – Quando relativa a uma questão de horas será um caso de desorientação ligeira, se a alteração envolve dias, meses ou anos trata-se de uma desorientação moderada a severa. Não saber a estação do ano é um quadro de desorientação avançada. Este é o tipo de orientação mais precocemente alterada em várias patologias. Pode-se evidenciar também incapacidade de ordenação cronológica de factos e recordações pessoais.
  • Desorientação no Espaço – Não saber onde se está ou onde vive, bem como a ideia exacta da proporção e distribuição dos objectos que tem ante si.
  • Desorientação Autopsíquica – Não sabe o seu nome, idade, estado civil ou a sua biografia pessoal (habitualmente num estádio tardio de processo orgânico).
  • Desorientação Alopsíquica – Não se apercebe da sua situação e de quem são os outros.

A desorientação no espaço e no tempo tem, em princípio, etiologia num processo orgânico. Um estado dissociativo pode mimetizar desorientação, mas apresenta características bizarras, por exemplo, maior desorientação em relação ao próprio que em relação ao tempo e espaço.

S

constituem a experiência subjectiva da emoção, apresentam uma maior duração e estabilidade e não apresentam correlação somática.

É um neurotransmissor, cuja redução no sistema nervoso, que se pensa estar associada ao aparecimento de algumas perturbações psiquiátricas, nomeadamente a perturbação depressiva e as perturbações de ansiedade. Outras sintomas psiquiátricos como a agressividade também poderá relacionar-se com a serotonina.

O doseamento da serotonina quer no sangue quer na saliva, não é útil pois não traduz os níveis de serotonina no sistema nervoso. Os antidepressivos podem aumentar este neurotransmissor nas sinapses.

Corresponde a um conjunto de sintomas, muitas vezes prefere-se denominar os casos clinicos por sindromes e não por perturbações (estas são de acordo com os manuais diagnosticos e referem-se mais a doenças com uma especificdade própria).

As características essenciais da Perturbação de Asperger são um défice grave e persistente da interacção social (que leva muitas vezes ao isolamento social), o desenvolvimento de padrões de comportamento, interesses e actividades restritivos e repetitivos, à semelhança do Autismo, mas em gravidade inferior. No entanto ao contrário deste ultimo, no síndrome de asperger, não há um atraso geral da linguagem (por exemplo uso de palavras simples aos dois anos de idade, frases aos três anos, etc). Por outro lado, também não se sobserva habitualmente deficiência mental. Frequentemente está presente défices na atenção e hiperactividade.

O tratamento envolve intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e/ou comunicação. O recomendado é que uma equipe multidisciplinar avalie e desenvolva um programa de intervenção orientado a satisfazer as necessidades particulares a cada indivíduo. Desta equipa deverão fazer parte médicos psiquiatras, psicólogos, terapeutas da fala. O défice de atenção e hiperactividade podem requerer tratamento farmacológico específico.

Manifestação subjectiva das perturbações mentais. São organizados em grupos: alterações do pensamento (como os delirios por exemplo), da percepção (como as alucinações, por exemplo), do humor (como o humor deprimido ou eufórico), etc.

É um período de repouso para o corpo e a mente, durante o qual a  consciência está em inatividade parcial ou completa. O sono divide-se em dois tipos fisiologicamente distintos: NREM (Non Rapid Eye Movement ou “Movimento Não Rápido dos Olhos”), é o primeiro estágio do sono; REM (Rapid Eye Movement ou “Movimento Rápido dos Olhos”) é o segundo, pensa-se que será nesta fase que a maior parte dos sonhos ocorrerão.

Há várias alterações de sono, entre as quais se destacam a insónia. Esta pode ser inicial, intermédia ou terminal (dependendo da fase do sono que está mais perturbada). Enquanto que a insónia inicial (dificuldade em adormecer está mais associada à ansiedade), a terminal (acordar muito cedo e não voltar a dormir) associa-se mais à depressão.

Antes de qualquer abordagem da insónia é fundamental que se faça uma avaliação correcta para se compreender o que está na base desse problema. Na maioria dos casos existe um quadro de ansiedade ou depressão que tem de ser tratado. Por isso é sempre fundamental consultar um médico especializado em psiquiatria. Depois de tratado o problema que está na base, e, se esta não remitir, pode se actuar directamente sobre a insónia.

Há medidas gerais não farmacológicas: fazer exercício físico durante o dia (excepto nas 2 horas antes de se deitar), não comer refeições pesadas antes do sono, não beber café ou chá com teína depois da hora do almoço, fazer um programa que promova o relaxamento antes de dormir (ver um filme calmo  na TV, ouvir musica tranquilizante), tomar um chá calmante (tília, lucia-lima, valeriana, etc). Para o tratamento farmacológico específico da insónia podem utilizar-se medicamentos hipnóticos (ver), mais frequentemente antidepressivos sedativos como a trazodona ou a mirtazapina, ou menos frequentemente as benzodiazepinas hipóticas como o flurazepam ou o temazepam (estes deverão ser usados por curtos períodos dado o seu otencial de dependência)..

É habitual dizer-se que são úteis 8 horas de sono. No entanto estudos recentes referem que não há grandes evidências e que o periodo de sono necessário para cada um varia desde cerca de 6 horas até mais de 8 horas.

Patologia que, como o próprio nome indica, ocorre depois de uma pessoa ter sido exposta a um acontecimento que constituiu um trauma psicológico.

Habitualmente, trata-se de um acontecimento que foi uma ameaça à sua segurança ou à sua vida, em que terá sentido medo, desespero, falta de ajuda ou horror intenso. Podem estes ser de vários tipos: 1) Provocados por seres humanos- assalto, violação, abuso, tortura, guerra; 2) Provocados por acidentes: automóveis e transportes em geral, trabalho; 3) Provocados por fenómenos da natureza: incêndios, inundações, tempestades, terramotos.

A situação traumática volta a ser experimentada em repetidas ocasiões, geralmente como pesadelos ou imagens que vêm à memória , parecendo que a pessoa volta a reviver o sucedido (Flashbacks). A pessoa evita persistentemente coisas que lhe recordem o trauma. A pessoa experimenta sintomas de hiperatividade  que podem ir desde sintomas de ansiedade físicos e psicológicos, insónia, até reacções muito exageradas aos estímulos que podem incluir agressividade contra o próprio ou contra terceiros).

Às vezes os sintomas só começam muitos meses e inclusive anos depois do acontecimento traumático.

O tratamento faz-se com farmacoterapia e psicoterapia. A farmacoterapia pode incluir vários tipos de medicamentos, nomeadamente tranquilizantes, antidepressivos e por vezes antipsicóticos e estabilizadores de humor. O tipo de medicamentos escolhidos depende muito do tipo e gravidade do caso.

Na psicoterapia é importante que se crie um espaço para o paciente explorar as situações traumáticas. No entanto os estudos mais recentes sublinham que o falar sobre as situações traumáticas nunca deve ser forçado, mas apenas deve ser feito quando e se o paciente se sentir capaz de o fazer. A aceitação e o «aprender a viver» com o que se passou é o objectivo final.

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